BIOGRAFIAS
Tiradentes (1746 -1792)
Mártir da Independência do Brasil,
nasceu no ano de 1746 na Fazenda do Pombal, próxima ao
arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, entre a Vila de São
José, hoje Tiradentes, e São João del-Rei.
Filho do português Domingos da Silva Santos, proprietário
rural, e da brasileira Antônia da Encarnação
Xavier, o quarto dos sete irmãos, ficou órfão
aos 11 anos, não fez estudos regulares e ficou sob a tutela
de um padrinho, que era cirurgião.Trabalhou como mascate e
minerador e tornou-se sócio de uma botica de assistência
à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se
dedicou também às práticas farmacêuticas
e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe
valeu o cognome Tiradentes. Com os conhecimentos que adquirira no
trabalho de mineração, tornou-se técnico em
reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus
recursos, começou a trabalhar para o governo no
reconhecimento e levantamento do sertão brasileiro. Depois
alistou-se na tropa da capitania de Minas Gerais e foi nomeado
pela rainha Maria I, comandante da patrulha do Caminho Novo
(1781), estrada que conduzia ao Rio de Janeiro, que tinha a função
de garantir o transporte do ouro e dos diamantes extraídos
da capitania. Nesse período, começou a criticar a
espoliação do Brasil pela metrópole, que
ficava evidente quando se confrontava o volume de riquezas tomadas
pelos portugueses e a pobreza em que o povo permanecia.
Insatisfeito por não conseguir promoção na
carreira militar, alcançando apenas o posto de alferes,
pediu licença da cavalaria (1787). Morou por volta de um
ano na capital, período em que desenvolveu projetos de
vulto como a canalização dos rios Andaraí e
Maracanã para melhoria do abastecimento de água do
Rio de Janeiro, porém não obteve deferimento dos
seus pedidos para execução das obras. Seus projetos
foram rejeitados pelo vice-rei, sendo mais tarde construídos
por D. João VI. Esse desprezo fez com que aumentasse seu
desejo de liberdade para a colônia.De volta a Minas Gerais,
começou a pregar em Vila Rica e arredores, a favor da
independência do Brasil. Organizou um movimento aliado a
integrantes do clero e pessoas de certa projeção
social, como Cláudio Manuel da Costa, antigo secretário
de governo, Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor da
Comarca e Inácio José de Alvarenga Peixoto,
minerador. O movimento ganhou reforço ideológico com
a independência das colônias americanas e a formação
dos Estados Unidos. Fatores regionais e econômicos contribuíram
também para a articulação da conspiração
de Minas Gerais, pois na capitania começara a declinar a
mineração do ouro. Os moradores já não
conseguiam cumprir o pagamento anual de cem arrobas de ouro
destinado à Real Fazenda, motivo pelo qual aderiram à
propaganda contra a ordem estabelecida. O sentimento de revolta
atingiu o máximo com a decretação da derrama,
uma cobrança forçada de 538 arrobas de ouro em
impostos atrasados (desde 1762), a ser executada pelo novo
governador de Minas Gerais, Luís Antônio Furtado de
Mendonça, visconde de Barbacena. O movimento se iniciaria
na noite da insurreição: os líderes da
inconfidência sairiam às ruas de Vila Rica dando
vivas à república, com o que ganhariam a imediata
adesão da população. Porém, antes que
a conspiração se transformasse em revolução,
foi delatada pelos portugueses Basílio de Brito Malheiro do
Lago, Joaquim Silvério dos Reis e o açoriano Inácio
Correia de Pamplona, em troca do perdão de suas dívidas
com a Fazenda Real. E assim, o visconde de Barbacena suspendeu a
derrama e ordenou a prisão dos conjurados (1789). Avisado o
inconfidente escondeu-se na casa de um amigo no Rio de Janeiro,
porém foi descoberto por Joaquim Silvério que sabia
de seu paradeiro, já que o acompanhara em sua fuga a mando
de Barbacena. Preso, assumiu toda a culpa pela conjuração
e após um processo que durou três anos, foi o único
que não mereceu clemência da rainha dona Maria I,
pois condenado à morte junto com dez de seus companheiros,
estes tiveram a pena comutada por favor real. E assim, numa manhã
de sábado (21/04/1792), o condenado percorreu em procissão
as ruas engalanadas do centro da cidade do Rio de Janeiro, no
trajeto entre a cadeia pública e o largo da Lampadosa,
atual praça Tiradentes, onde fora armado o patíbulo.
Executado, esquartejado e salgado; sua cabeça foi colocada
dentro de uma gaiola, levada para Ouro Preto e exposta em um
poste, suas pernas cravadas em postes na Estrada das minas e os
braços levados para Barbacena.Com seu sangue lavrou-se a
certidão de que estava cumprida a sentença, e foi
declarada infame sua memória. Essa conspiração
ficou sendo conhecida como Inconfidência Mineira. Seu nome
completo: Joaquim José da Silva Xavier.
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